PORQUÊ PROCRASTINAR?

Vanessa Santos

Psicóloga Clínica, inscrita na Ordem dos Psicólogos com o n.º 24323

Chegados ao início de um novo ano, parece que a nossa energia se renova automaticamente e começamos a definir metas e objetivos a alcançar. Ou, em alguns casos, transferimos os objetivos que fomos adiando consecutivamente ao longo do ano passado.

Este comportamento não se verifica apenas com resoluções de Ano Novo. No nosso dia a dia é comum a prática da procrastinação, por vezes, até a um estado limite em que não é possível adiar mais e somos movidos a pressão e stress para completar as tarefas que temos em mãos. Mas porque é que isto acontece?

Por receio de que seja uma tarefa desagradável. Diariamente, sem que nos apercebamos, temos muitos pensamentos automáticos. Pode acontecer pensamos automaticamente que determinada tarefa será aborrecida ou pouco interessante, levando a que nos sintamos pouco motivados a iniciá-la.

Por medo de não ser capaz de fazer um bom trabalho. Dificilmente temos a certeza de qual será o resultado do trabalho que estamos a realizar, pelo que esta incerteza pode ser geradora de medo de não o conseguir realizar de forma adequada ou dentro das nossas expectativas. Este medo pode bloquear o início da tarefa.

Princípio do reforço: um comportamento reforçado (ou seja, recompensado) tende a repetir-se no futuro. Assim, de cada vez que adiamos uma tarefa que consideramos ser desagradável, sentimos alívio. Este alívio tem a função de recompensa, o que tendencialmente, nos levará a adiar novamente a tarefa.

Como podemos então impedir-nos de procrastinar?

Primeiro que tudo, é importante refletirmos sobre o nosso comportamento e tentar perceber o que pode estar por detrás deste comportamento de adiamento constante. Poderá ser um dos motivos acima indicados, ou outro relacionado com a sua própria história de vida e bagagem que traz consigo. Pare e reflita.

Pense nos motivos pelos quais não quer procrastinar, quais são as desvantagens e porque é que não quer perpetuar este comportamento. Por exemplo, acabar por ter de realizar a tarefa de qualquer das formas, mas sobre uma grande pressão por estar muito perto do prazo de entrega.

Simplesmente comece. Algumas vezes adiamos a realização de uma determinada tarefa por não sabermos bem por onde começar e como a iremos executar. Contudo, descobrir como fazer também faz parte do processo.

Seja realista. É frequente ouvirmos “não vou fazer já porque não estou com motivação”. A motivação e o amanhã são melhores amigos da procrastinação e inimigos da produtividade. Pensamos na motivação como uma energia mítica que nos irá permitir realizar uma tarefa sem qualquer esforço, mas a realidade é que teremos sempre algumas tarefas que não gostamos de fazer e, como tal, é provável que não venhamos a ter motivação para as mesmas. É natural que se possa sentir desconfortável ao realizar a tarefa. Se estiver disposto a aceitar e a enfrentar esse desconforto, este será ultrapassado à medida que for avançando.

Cuidado com os padrões irrealistas. Também para o resultado final é importante ser realista. Nem sempre dispomos de tanto tempo ou temos tanta disponibilidade mental quanto gostaríamos, o que pode fazer com que adiemos por sentirmos que não irá ficar perfeito. Há momentos em que estar feito é mais importante do que estar perfeito.

Agora que adquiriu alguns conhecimentos base sobre a procrastinação e o comportamento humano é tempo de os aplicar. Tome controlo da situação e dos seus objetivos. Isto não significa não deixar coisas para o dia seguinte. Significa estar consciente sobre essas mesmas decisões.

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