Quando o coração dá sinais de falhar, é preciso saber o que fazer

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

O coração é para nós o que um motor é para um carro. Sem a quantidade ideal de combustível e ar, não funciona e impossibilita a realização das nossas tarefas diárias. Quando isto acontece, é importante entrarmos em contato com um mecânico. Ou melhor, um cardiologista.

As doenças cardiovasculares são caracterizadas por um grupo de enfermidades relacionadas com o funcionamento anormal do coração e, consequentemente, dos vasos sanguíneos. São a principal causa de morte na Europa e são responsáveis pela morte de mais de 35 mil pessoas por ano em Portugal. Os elevados números devem-se ao facto que, na maioria das vezes, os seus sintomas não serem tão óbvios, o que aumenta a gravidade da questão.

Apesar de atingirem qualquer cidadão, os fatores de riscos são divididos em dois grupos: os modificáveis e os não-modificáveis. O primeiro engloba o stress, a diabetes, o excesso de peso, os maus hábitos alimentares, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e o sedentarismo. Já o segundo, diz respeito às causas naturais, como a idade, o sexo, a genética e certas doenças autoimunes.

A sua prevenção engloba a adoção de dietas saudáveis com pouca adição de sal e açúcar, a prática regular de exercício físico, a monitorização frequente da sua saúde e a diminuição do consumo de álcool e tabaco.

Selecionámos algumas das doenças mais comuns, para enfatizar a sua gravidade e a importância de estarmos cientes das suas causas, dos sinais e respetivos sintomas, de forma a conseguirmos atuar enquanto é tempo. Até porque, enquanto um motor de um carro é facilmente substituído, com o nosso coração as coisas não são assim tão simples.

Hipertensão arterial

A pressão arterial é definida pela força que o nosso sangue exerce nas paredes dos principais vasos sanguíneos do nosso corpo, as artérias. Já a hipertensão, é o nome da doença que damos quando a pressão arterial está elevada.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 1,3 mil milhões de pessoas sofrem de hipertensão. Por outro lado, apenas cerca de 42% das pessoas são diagnosticadas e tratadas. Isso deve-se ao facto de a maioria dos pacientes desconhecer o problema, pois não apresenta sintomas de alerta. Por isso, a hipertensão arterial é conhecida como “assassina silenciosa”.

Os sintomas, quando surgem, podem ser facilmente confundidos como um simples mal-estar, pois entre eles estão incluídas dores de cabeça pela manhã, fadiga e visão turva. Porém, em casos mais avançados há a presença de tremores nos músculos, dores no peito, náuseas e vómitos.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é feito através de aparelhos usados para medir a pressão arterial, de um eletrocardiograma (ECG) e/ou de análises da urina. Qualquer valor acima de 120 x 80 mmHg (o máximo considerado normal) é considerado de risco e pode indicar hipertensão.

É aconselhado medir a pressão arterial de 2 a 4 vezes por ano. Para os pacientes que já sofrem dessa doença, é essencial medir pelo menos uma vez por semana.

Já o tratamento, vai desde mudanças nos hábitos diários, reduzindo o stress, o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e a ingestão de sal (quando a doença está na fase inicial ou moderada), até ao uso de medicamentos prescritos (quando esta já é considerada mais grave).

Enfarte agudo do miocárdio

Popularmente conhecido como “ataque cardíaco”, é caracterizado pela obstrução das artérias que, consequentemente, causa a interrupção do fluxo sanguíneo para o coração. O acumular de gorduras nos vasos sanguíneos é a principal causa.

Apesar de os sintomas diferirem de pessoa para pessoa, sendo algumas assintomáticas, os principais sinais de alerta são a dor aguda no peito que acaba por se espalhar pelo braço, falta de ar, suores frios, ritmo cardíaco acelerado, entre outros. Caso sinta algum destes sintomas, é importante ligar para o 112 o mais rapidamente possível, pois é uma doença que pode se desenvolver rapidamente após a manifestação dos sintomas, levando à morte.

Diagnóstico e Tratamento

Há uma série de exames que podem ser feitos para diagnosticar esta doença, como ECG, ecocardiograma, análises ao sangue, radiografia do tórax, entre outros. Além disso, são também levados em conta os sintomas e a história clínica do paciente.

O tratamento pode ser feito, tanto através de medicamentos, quanto de cirurgias. Em relação ao segundo ponto, as mais comuns são a angioplastia, responsável por repor o fluxo sanguíneo normal através do desbloqueamento das artérias obstruídas, e o bypass coronário, que redireciona o fornecimento de sangue nas áreas obstruídas das artérias atingidas. Enquanto que a primeira é considerada um procedimento mais “leve”, a segunda é mais complexa e pode levar entre três a seis horas.

Arritmias cardíacas

A frequência normal de batimentos cardíacos para uma pessoa saudável, em repouso, varia entre 60 e 100 por minutos (bpm). Em casos de arritmias cardíacas, caracterizadas pelas alterações do ritmo frequência dos batimentos cardíacos, este número pode ser mais elevado (taquicardia – maior que 100 bpm), mais baixo (bradicardia – inferiores a 60 bpm) ou fora do ritmo comum.

Essas alterações podem gerar sintomas como cansaço, palidez, dores no peito, palpitações, visão turva e falta de ar. Já as suas causas, podem ser primárias, quando a doença se origina nas células cardíacas responsáveis pela condução do impulso elétrico, ou secundárias, quando a mesma tem origem devido a uma doença cardiovascular já existente.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico pode ser feito através de exames, como eletrocardiograma, Holter, teste ergométrico, estudo eletrofisiológico, entre outros. Contudo, na maioria das vezes, a sua descoberta acontece de modo acidental, através de complicações como derrames e, em casos mais graves, a morte súbita, que ocorre 95% das vezes fora do ambiente hospitalar.

Por isso mesmo, é importante que o paciente esteja atento à saúde do coração e que procure avaliação médica para iniciar o tratamento e evitar que as complicações referidas aconteçam.

Já o tratamento, é adequado mediante a gravidade da doença. Enquanto que as arritmias benignas podem ser facilmente controladas através de medicamentos e atividade física, as consideradas malignas podem necessitar de intervenção cirúrgica, como a adição de um pacemaker ou cateter.

Insuficiência Cardíaca

Ocorre quando a pressão alta leva ao enfraquecimento do músculo cardíaco, dificultando o bombeamento de sangue para o resto do corpo. Com isso, ocorre o excesso de fluido nas pernas, pés, pulmões e/ou outras partes e órgãos do corpo.

Por causa disso, os principais sintomas incluem inchaço nas pernas e nos pés, fadiga progressiva, tosse seca, especialmente à noite, e falta de ar.

Diagnóstico e tratamento

Ecocardiograma, ECG, radiografia do tórax, teste de esforço e a cateterização cardíaca são alguns dos exames que podem ser prescritos para confirmar a insuficiência cardíaca.

As opções de tratamento, assim como as outras referidas anteriormente, englobam medicamentos e/ou cirurgias. Quando as câmaras inferiores do coração não batem ao mesmo tempo, os pacientes podem também optar pela chamada terapia de ressincronização cardíaca (TRC). Esta consiste num dispositivo, nomeado pacemaker, que é implantado com o intuito de enviar pequenos impulsos elétricos a ambas as câmaras e assim, auxiliar na sua sincronização.

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