Sabia que há um dia do stress? É hoje. Pare para ler antes que pare de vez

Diana Rosa

Jornalista

Anda acelerado e “sempre a mil”? Sente que o dia não chega para tudo e que você não chega para as encomendas? Anda com pouca tolerância e desata a buzinar com o condutor do lado? Talvez esteja na altura de abrandar o ritmo. Ou mesmo parar um pouco. Pode começar por parar uns minutos e ler este texto. É que ele vem mesmo a calhar, porque esta quarta-feira, 3 de novembro, assinala-se o Dia da Consciencialização do Stress.

Sente-se irritado pontualmente com tarefas do dia a dia, ou está totalmente sem energia? Há diferenças. Ultimamente “stress” e “burnout” são palavras que ouvimos muitas vezes, mas nem sempre sabemos distinguir. Na verdade, são coisas diferentes, ainda que ambas digam respeito a sintomas que preferíamos não conhecer. O estilo de vida atual propicia a que as pessoas desenvolvam várias patologias psicológicas, sejam elas derivadas do ambiente no trabalho, em casa, ou das mais variadas tarefas diárias. Vamos conhecer as diferenças entre estes dois conceitos, e deixar o alerta caso se sinta a chegar ao seu limite.

STRESS

O stress, uma das palavras mais comuns no dicionário atual, é uma resposta natural do organismo quando é confrontado com situações desagradáveis do dia a dia, sejam elas novos desafios, situações difíceis de resolver, ou perigo. Estes episódios comuns a todos nós, desencadeiam um determinado tipo de reações e sensações físicas e psicológicas. Sob stress, sentimos um esforço adicional em lidar com questões emocionais, psicológicas e físicas. Quando isto acontece, a pulsação acelera, a tensão arterial aumenta, e as reações naturais do ser humano são atacar ou fugir.

Para categorizar melhor, os sintomas relativos a uma situação de stress são:

  • Dores de cabeça ou tonturas
  • Insónia
  • Cansaço
  • Problemas digestivos
  • Hipertensão
  • Dores musculares
  • Queda de cabelo
  • Dormência nas mãos
  • Alterações de humor
  • Ansiedade
  • Dificuldade de concentração ou memória

O pormenor que faz toda a diferença é quando estes sintomas aparecem direcionados ao contexto de trabalho, que levados ao extremo e de forma prolongada, podem vir a ditar o desenvolvimento da síndrome de Burnout.

BURNOUT

Em consequência do que foi dito anteriormente, o Burnout é o resultado de stress prolongado, em que não se refere apenas a uma situação específica, mas a um acumular de acontecimentos que foram desenvolvendo uma condição de permanente stress e de desgaste, nomeadamente no âmbito profissional. Segundo um estudo da Associação Portuguesa de Psicologia Ocupacional, cerca de 87% dos portugueses está descontente com o seu trabalho e respetivas condições salariais, sendo que 86% relatam que passam frequentemente por situações de stress no ambiente laboral, e 18% deles já se encontram em estado de Burnout. No caso de profissões como a área da saúde ou do ensino, estima-se que cerca de 50% destes profissionais esteja a atravessar um processo de Burnout severo. Este esgotamento físico e mental tem 3 fases associadas que o levam a atingir o ponto de saturação total.

  1. Exaustão emocional

Sente-se desgastado e sobrecarregado, tanto física como emocionalmente. Começa a sentir que não tem energia para desenvolver as tarefas habituais, quer no emprego, quer em casa. Ir para o trabalho passa a ser encarado como algo penoso.

  • Afastamento / desumanização

A empatia começa a perder-se e os teus contactos tornam-se mais frios e impessoais. Começa a distanciar-se das pessoas que o rodeiam durante o dia, e sente falta de afetividade com clientes, colegas, superiores e à empresa ou instituição.

  • Falta de realização profissional

Impera a desmotivação em relação ao trabalho, assim como um descontentamento constante, que o levam a perder vontade de desenvolver tarefas e gera-se um enorme desinteresse pelo que acontece no âmbito profissional. O trabalho é um fardo e, consequentemente, perde a produtividade e eficácia, o seu investimento é cada vez menor e não sente realização profissional.

Uma situação de Burnout pode trazer sintomas verdadeiramente incapacitantes, sendo os mais comuns:

Sintomas físicos

Palpitações, taquicardia e problemas cardiovasculares em geral, tonturas, falta de ar, dores musculares, tensão, falta ou excesso de apetite, insónias, tensão arterial elevada, diminuição da imunidade.

Sintomas psicológicos

Raiva, tédio, tristeza, revolta, apatia, desinteresse, frustração, depressão, falta de autoestima, ansiedade, irritabilidade, alienação, sentimento de injustiça e de desvalorização.

Consequências cognitivas

Confusão, perda de memória, dificuldade de concentração, lentificação da realização de tarefas, agressividade, aumento de consumo de substâncias como tabaco ou álcool, impulsividade, fuga, automedicação.

Consequências sociais

Diminuição de momentos de convívio, isolamento, diminuição de empatia, sarcasmo ou cinismo perante diversas situações e pessoas.

Consequências laborais

Maior número de enganos ou erros no trabalho, esquecimento e procrastinação, atestados e baixas médicas, atrasos, falha de produtividade, menor entrega às atividades, vontade de desistir do trabalho, menor eficácia, baixa realização profissional.

Conclui-se, portanto, que o stress é uma questão mais pontual, e que o Burnout é a consequência do prolongamento dessas situações esporádicas, que passam a ser repetidas com frequência e geram um desgaste emocional e físico, promovendo situações de doença e de isolamento social.

Se se revê nestes sintomas ou se, por variados motivos, está a atravessar uma fase como aquelas descritas neste artigo, consulte o seu médico assistente e peça ajuda. Em primeiro lugar está a sua saúde. 

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