Sabia que o colesterol é essencial ao organismo? Pois, não são só coisas más…

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

Sempre que ouvimos falar de colesterol, pensamos nos prejuízos que este traz. O risco para o nosso organismo, sangue, coração… Mas não é sempre assim. É também uma gordura essencial para o funcionamento do nosso corpo, e nem sempre está relacionado com doenças.

Aqui está algo que provavelmente não sabia. O colesterol é fundamental para o nosso corpo. Apesar de ser uma gordura, este é capaz de produzir desde hormonas e vitaminas, e, até mesmo, construir paredes das células.  Mais de 75% é produzido pelo nosso fígado e outras células, e os outros 25% surgem da dieta, em especial, de alimentos de origem animal.

Apesar de não ter uma boa fama, o colesterol só apresenta riscos para a saúde quando se encontra elevado. Os valores ideais para uma pessoa saudável a nível de gordura devem ser inferiores a 190 mg/dl. Sendo considerado risco moderado quando este está entre os 190-239 mg/dl e, elevado quando ultrapassa os 240 mg/dl.

Em Portugal, um quarto dos portugueses apresenta risco elevado. Tal é traduzido por uma maior facilidade em desenvolver doenças cardiovasculares, a principal causa de morte na Europa e responsáveis pela morte de mais de 35 mil pessoas por ano no nosso país. Além disso, quando associado com outras enfermidades, como a diabetes, o risco cardiovascular é ainda maior.

Confusa? Vamos lá ajudar a entender melhor essa gordura que, quando controlada, não é nada má para a nossa saúde:

Tipos de colesterol

Apesar de ser apenas um, este é dividido em lipoproteínas de alta densidade (HDL) e lipoproteínas de baixa densidade (LDL), popularmente conhecidos como colesterol “bom” e “mau”, respetivamente. Apesar de não ser tanto discutido, há também a lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL). A soma de todos eles é o chamado “colesterol total”.

O nome do complexo “lipoproteína” deve-se ao facto de que, para o colesterol circular pelo nosso sangue, é necessário que esteja ligado a proteínas. As que constituem o complexo no LDL são responsáveis por transportar o colesterol para as células, e as do HDL transportam o mesmo para o fígado.

E por que raio é que o LDL é considerado o “mau” colesterol? De onde lhe vem essa fama? Por causa da sua atuação. Este é responsável por transportar o colesterol do fígado para o resto do corpo e, quando a sua concentração do sangue é elevada, aumenta o risco de desenvolvermos doenças cardiovasculares.

Já o HDL, é responsável por transportar o colesterol do nosso corpo, das artérias e da corrente sanguínea, para o fígado, onde o mesmo será posteriormente eliminado. Por ser responsável por limpar as artérias, quando está elevado, não apresenta riscos para a saúde. 

O último, mas não menos importante, o VLDL, é responsável por transportar mais triglicéridos (outro tipo de gordura) do que colesterol. Estes, quando elevados, causam acumulação de gordura nas artérias e, consequentemente, o risco de doenças cardiovasculares.

No geral, os valores recomendados são:

  • Colesterol total menor que 190 mg/dl;
  • Colesterol LDL menor que 115mg/dl;
  • Colesterol HDL mais alto que 40 mg/dl no homem e maior que 45 mg/dl na mulher;
  • Colesterol VLDL menor ou igual a 30 mg/dl.

Tipos de gorduras

O nosso corpo é composto por diversos tipos de gorduras. Estas são divididas em saturadas, insaturadas e trans. Mas afinal, onde é que as podemos encontrar?

As gorduras saturadas, como o nome indica, são constituídas por ácidos gordos saturados, ou seja, não possuem ligações entre os átomos de carbono e, por causa disso, são sólidas. Entre os alimentos ricos nesta gordura estão a carne de vaca, manteiga, queijos e chouriços.

As gorduras insaturadas podem ser divididas em monoinsaturadas (uma única ligação livre entre átomos de carbono) ou polinsaturadas (duas ou mais ligações livres). Ao contrário das referidas anteriormente, são líquidas e estão presentes em alimentos como peixe, óleos vegetais e cereais integrais.

Já as trans, são gorduras insaturadas que são submetidas a um processo nomeado de hidrogenação, isto é, uma transformação de líquida para sólida. Não são tão comuns como as duas anteriores e são resultantes da hidrogenação de óleos vegetais.

A sua relação com os níveis de colesterol dá-se pelo facto de que as saturadas aumentam os valores de colesterol total e LDL, assim como as trans, que além de o elevarem, também diminuem o HDL. Porém, não devem ser retiradas totalmente da dieta, e sim, consumidas de maneira equilibrada.

Por outro lado, as insaturadas controlam os níveis de colesterol. A sua versão polinsaturada, quando consumidas em substituição às gorduras saturadas, auxiliam na diminuição de LDL.

Tenho o colesterol elevado, e agora?

Ao contrário do que muitos pensam, o colesterol elevado não é um resultado apenas da alimentação. Há diversos outros fatores de risco que vão desde o sedentarismo, até à genética. E, como já referido anteriormente, apenas 25% do colesterol provém da nossa dieta.

A hipercolesterolemia familiar (FH) é a condição mais conhecida quando o assunto é a genética. É definida pelo surgimento de colesterol elevado desde o nascimento, que acaba por se agravar em aterosclerose (presença de material gorduroso nas paredes das artérias) ou em doenças cardiovasculares precoces.

Segundo o primeiro Estudo Português de Hipercolesterolemia Familiar, é estimado que mais de dois milhões de pessoas sofram dessa doença na Europa e, em Portugal, cerca de 20 mil portugueses. Além disso, num total de mais de mil famílias estudadas no país, cerca de 30% dos pacientes são crianças.

Por outro lado, quando falamos de fatores controláveis, na maioria dos casos, o sedentarismo é o mais discutido. Quando praticamos exercício físico, o nosso corpo ajuda a aumentar o HDL e a reduzir o LDL.

É preciso estar atento, pois o colesterol elevado não provoca sintomas. Algumas pessoas podem apresentar pontos amarelos de gorduras nos olhos ou depósitos de gorduras nas articulações ou tendões. Por causa disso, é importante controlar o colesterol no sangue através de exames frequentes, ainda mais se houver um risco genético.

Quando diagnosticado, o tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível, para evitar complicações. Apesar de os medicamentos serem prescritos para alguns pacientes, na maioria dos casos, apenas a mudança nos hábitos alimentares pode ajudar a reduzir os valores. Evite alimentos com gorduras em excesso e opte por grãos, óleos vegetais, peixes e legumes, para, assim, conseguir prevenir futuras enfermidades graves. 

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