Sal e açúcar têm vindo a diminuir nos alimentos mas ainda há muito a fazer em Portugal

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

Os produtos alimentares, em Portugal, têm apresentado valores cada vez menores de sal e de açúcares, dois grandes vilões da saúde pública no país. Um novo estudo concluiu que, nos últimos três anos, houve uma redução significativa do número de toneladas inicial. O Escolher Viver explica como!

A alimentação inadequada está entre os cinco fatores de risco que mais provocam morte e incapacidades, em Portugal, de acordo com um estudo promovido pela Global Burden Disease, em 2019.

O consumo excessivo de sal é um dos principais riscos de saúde pública no país, estando este diretamente associado ao desenvolvimento de diversas enfermidades, como hipertensão arterial, problemas nos rins e doenças cardiovasculares.

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo ideal de sal, por dia, é de 5 g. Em média, os portugueses consomem o dobro, e a população idosa, acima dos 65 anos, ingere o triplo (cerca de 27 g diárias), sendo os alimentos processados os principais responsáveis. Essa foi a conclusão de um estudo publicado na revista Food & Nutrition, em 2018.

Já a ingestão de açúcar em excesso, também um dos principais fatores de riscos para a saúde, contribui para a diabetes, obesidade, agravamento da asma e alergias, entre outras complicações.

De acordo com um estudo publicado no jornal académico Public Health Nutrition, os portugueses consomem cerca de 84 g de açúcares totais, por dia, e 35g de açúcares livres. A dose diária recomendada pela OMS é de 25g. Os grandes culpados pelo consumo excessivo são os refrigerantes, os doces, os iogurtes, os cereais de pequeno-almoço, os bolos e as bolachas.

O consumo superior de açúcares livres ocorre em crianças dos 5 aos 9 anos e em adolescentes dos 10 aos 17 anos. Sendo os mais velhos, acima dos 65 anos, os que apresentam um maior equilíbrio dentro do valor recomendado pela OMS.

Entre 2018 e 2021, foi desenvolvido um processo de reformulação dos produtos alimentares em Portugal. Os resultados desse processo, publicados no Relatório do Progresso da Reformulação dos Alimentos em Portugal, indicam uma redução global de 11,5% e de 11,1%, na média ponderada de sal e de açúcar (g/100 g), respetivamente.

Os dados da monitorização, partilhados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) e pela NielsenIQ, concluíram que tal representou, a nível global, uma redução de 25,6 toneladas de sal e 6256,1 toneladas de açúcar, durante esse período.

Batatas fritas, snacks salgados, cereais de pequeno-almoço e pizzas foram os alimentos abrangidos no estudo do sal. Sendo que a redução mais expressiva ocorreu na categoria das “pizzas”, que, face a 2018, registou uma diminuição de 22,3%. Esse valor fez com que a categoria das “pizzas”, assim como a categoria dos “cereais de pequeno-almoço”, atingisse, também, a meta de redução de sal definida para 2022.

Já no caso do açúcar, foram analisados os refrigerantes, néctares, iogurtes, leite fermentado e leite achocolatado. Sendo o grupo dos “refrigerantes” o responsável por apresentar um decréscimo mais significativo face a 2018. As categorias dos iogurtes, leite achocolatado e refrigerantes também já atingiram as metas definidas para o ano de 2022.

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