Tenha cuidado com a sua voz. A rouquidão pode esconder males maiores

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

A voz é um dos motores principais para nos comunicarmos e deve ser tratada com o devido cuidado. Ainda há poucas semanas se comemorou o Dia Mundial da Voz, mas para o Escolher Viver todos os dias são bons para alertar para a importância da voz, sobre as doenças que a atingem e a importância de adotar hábitos saudáveis.

A nossa voz vai muito mais além da comunicação. Através dela, é possível identificarmos o sexo, a personalidade, o estado emocional e, em certos casos, até o tamanho físico de uma determinada pessoa.

Mas, afinal, como esta é produzida? A voz é o resultado da combinação de dois fatores: o ar dos nossos pulmões e a força muscular da laringe, um órgão com formato de cone localizado na garganta. Além da fala, este também é responsável pela nossa respiração e pela deglutição (ato de engolir).

A vibração de duas cordas vocais presentes na laringe, resultado de um impulso do ar que vem dos pulmões e que passa entre ambas, é a responsável pelo som que caracterizamos como voz. Em seguida, os ressoadores (boca, nariz e faringe) e os articuladores (língua, lábios e palato mole) são os encarregados a modelar o som, tornando a voz de cada um de nós única.

O mau uso vocal, como o uso excessivo da voz, pode trazer complicações como rouquidão e dores no pescoço e na garganta, sendo estes sintomas mais comuns nas crianças mais novas.

Contudo, a rouquidão também pode indicar a presença de doenças relacionadas à voz. Descubra quais:

Doenças benignas da laringe

São um conjunto de patologias que se caracterizam pela presença de lesões não cancerígenas. Podem surgir como resultado do uso excessivo da voz, pela exposição a agentes agressores ou de forma idiopática, isto é, sem motivo aparente.

O seu principal sintoma é a rouquidão. Contudo, por ser também comum em gripes e constipações, muitas pessoas demoram para perceber a presença de alterações relacionadas com as doenças da laringe.

O diagnóstico consiste no estudo do histórico clínico do paciente, assim como num exame que leva o nome de videolaringoscópio, responsável por analisar as cordas vocais através de uma pequena câmera inserida na boca. O resultado pode apresentar vários tipos de doenças benignas da laringe, conheça as mais comuns:

Nódulos

São pequenas calosidades benignas que surgem como resultado do atrito entre as duas cordas vocais responsáveis pela voz.

É mais comum em crianças e mulheres entre os 20 e 50 anos. Na maioria dos casos, o tratamento consiste na terapia da fala, responsável por corrigir hábitos vocais nocivos. Contudo, caso não haja resultados ou o paciente apresente piora, a cirurgia é recomendada.

Pólipos ou quistos vocais

São caracterizados pelo crescimento desordenado das células do tecido da laringe, resultado do uso excessivo da voz.

Edema de Reinke

Surge na prega vocal, a parte não muscular das cordas vocais, localizada no espaço de Reinke, o que justifica o seu nome. É mais comum em pessoas acima dos 40 anos.

Entre os sintomas mais comuns estão a voz aveludada e grave e o refluxo gastroesofágico.

Papilomatose laríngea

Afeta a membrana mucosa do trato respiratório e é caracterizada por lesões nomeadas papilomas, que surgem como resultado da infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV). É mais comum apareceram nas pregas vocais ou na subglote.

Pode afetar qualquer faixa etária, contudo, é mais comum em crianças e pessoas até os 30 anos. O tratamento é feito através de uma microcirurgia a laser.

Cancro oral

É caracterizado pela presença de tumores malignos na cavidade oral, que vai dos lábios à garanta, sendo considerado o sexto cancro mais comum em todo o mundo, de acordo com a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD).

Os carcinomas (tumores) manifestam-se na cavidade oral como uma mancha, uma úlcera que não apresenta melhora ou como uma massa endurecida. O seu surgimento é mais comum no pavimento da boca, na lateral da língua e na gengiva. Na maioria dos casos, são assintomáticos em sua fase inicial, sendo percetíveis apenas num estado mais grave, o que dificulta o tratamento.

Na garganta, são divididos de acordo com a área onde se desenvolvem as células cancerígenas, podendo ser na laringe, no esófago, na orofaringe, na hipofaringe, entre outros. Os sintomas incluem irritação, dor ou a sensação que há algo preso na garganta.

É mais comum no sexo masculino e o consumo excessivo de álcool e o tabagismo são os principais fatores de risco, sendo responsáveis por 8 em cada 10 casos de cancro oral. O HPV e as prósteses dentárias também estão associados ao surgimento da patologia.

De acordo com a OMD, a nível europeu, Portugal tem uma das taxas de mortalidade mais elevadas, sendo que cerca de 58% dos pacientes morrem nos cinco anos após a data do seu diagnóstico.

Perante a isso, os hábitos diários e o estilo de vida são extremamente importantes na prevenção do cancro oral. Uma dieta rica em vegetais e frutas, a diminuição do consumo de álcool e tabaco e a realização frequente de rastreios e consultas com o médico dentista (pelo menos duas vezes por ano) são essenciais para um diagnóstico e tratamento precoce.

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