Toc, toc, toc… O que é isso do Transtorno Obsessivo Compulsivo?

Diana Rosa

Jornalista

A saúde mental é um tema cada vez mais discutida e motivo de alerta para todos. Para que sejamos saudáveis, não basta apenas que o coração, os rins ou o fígado funcionem bem. O nosso cérebro é o orgão mais complexo do corpo e que tem dinâmicas que, muitas vezes, nem os cientistas conseguiram deslindar ainda.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é uma das patologias psiquiátricas que ainda não é conhecida de todos, e é dela que vamos hoje falar. Esta é uma perturbação que atinge pessoas de todas as idades, mas tem tratamento possível. Classificada como uma doença mental, é caracterizada por comportamentos recorrentes obsessivos, fixação por determinados gestos ou outro tipo de pensamentos repetidos e compulsivos.

Saiba reconhecer os sinais:

Compulsões:

  • Ter comportamentos repetidos ou mesmo rituais como lavar as mãos consecutivamente, limpar a casa a toda a hora, organizar objetos e não suportar que algo fique desalinhado ou ligeiramente fora do lugar.
  • Trancar e destrancar a porta sucessivamente, verificar várias vezes se as luzes estão ligadas, se a porta de casa ou do carro ficaram fechadas, confirmando constantemente através dos manípulos ou fechaduras se está tudo conforme.
  • Repetir o mesmo movimento, palavras ou pensamento um determinado número de vezes com medo de que, se não o fizer, alguma coisa de mal aconteça.
  • Acumular objetos que já não servem ou que estão estragados, com medo que lhe aconteça alguma coisa se o fizer, ou que passe por uma maré de falta de sorte.
  • Não querer pisar riscos de passadeiras, de desenhos na rua, seja com o pé esquerdo, com o direito, ou com os dois.

Obsessões:

  • Desconfiar de si próprio, tendo receio de magoar família e amigos ou agir com violência.
  • Ter obsessões através de comportamentos sexuais, blasfémias, agressões físicas ou psicológicas e outros atos violentos.
  • Ter pensamentos negativos ou estranhos que não consegue tirar da cabeça, como por exemplo sofrer demasiado por antecipação, de forma a que isso condicione a sua saúde e as suas ações no presente, ou mesmo imaginar a morte de familiares constantemente.
  • Ter dificuldade em tomar decisões, pensando demasiado tempo sobre o assunto, ruminando, avaliando cada risco possível e impossível de acontecer, de forma a que isso o deixe estático e condicionado, acabando por não conseguir tomar uma decisão.
  • Ficar inquieto quando não vê os objetos todos no sítio, quando as almofadas não estão perfeitamente direitas, as toalhas penduradas exatamente ao mesmo nível, entre outras situações similares.

Quais as causas?

Normalmente estas perturbações estão relacionadas com quadros de stress e ansiedade prolongada, fomentados por experiências traumáticas ou ataques de pânico. Para acalmar o medo e a ansiedade, desenvolve um conjunto de gestos repetitivos que o fazem sentir alívio e resolução para o problema. Por outro lado, as crenças e os pensamentos funcionam da mesma forma, tornando difícil controlar-se e abstrair-se do seu imaginário.

Entre os dois fatores mais comuns para o desenvolvimento de TOC, está a genética, uma vez que filhos ou outros familiares de primeiro grau têm mais probabilidade de desenvolver a doença, e também o histórico de vida. Pessoas que viveram uma infância desequilibrada, experiências traumáticas ou que foram vítimas de abusos físicos e sexuais, são mais propensas a esta patologia.

Tratamento

A terapêutica para este tipo de doença pode passar por dois tipos de tratamento. Pode ser através de toma de fármacos, nomeadamente antidepressivos e medicamentos que promovam uma maior captação de serotonina. Também pode ser efetuada a partir de psicoterapia, sendo que há varios estudos que demonstram os resultados favoráveis que este tipo de terapêutica apresenta. Por vezes, e para resultados mais eficazes, é sugerido que faça  os dois tipos de tratamento em simultâneo.

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