Três quartos dos portugueses tomam antibióticos mas só 36%… sabem para que servem

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

Como se relacionam os portugueses com os antibióticos? A maioria toma-os quando prescritos pelo médico, mas há 14% dos portugueses que se recusam terminantemente. Os efeitos indesejáveis são a principal preocupação e os jovens são os menos recetivos a esta forma de tratamento. Estes são resultados de um estudo realizado pela Católica que dá corpo à campanha “Tome a atitude certa”, lançada pela Pfizer Portugal, com o apoio da Ordem dos Farmacêuticos.

Um terço dos portugueses termina a toma de um antibiótico antes do prazo de tratamento definido pelo seu médico. Entre eles, há cerca de 10% que abandona o tratamento logo aos primeiros dias, quando se começa a sentir melhor. Uma realidade preocupante, uma vez que os antibióticos, quando tomados de forma inadequada, contribuem para o desenvolvimento de bactérias resistentes.

É por essa razão que nesta quinta-feira, quando se assinala o Da Europeu do Antibiótico, a Pfizer Portugal, em colaboração com a Ordem dos Farmacêuticos, lança a campanha “Tome a atitude certa”, que procura alertar a população para a utilização excessiva ou incorreta destes fármacos, que conduz ao desenvolvimento e à disseminação crescente de bactérias multirresistentes.

A resistência aos antibióticos é a capacidade dos microrganismos se modificarem, desenvolvendo mecanismos que os tornam resistentes à ação dos antibióticos. O consumo de antibióticos é, atualmente, um dos determinantes principais do desenvolvimento desta resistência. Caso este ritmo se mantenha, dentro de 30 anos os problemas relacionados com a resistência aos antibióticos matarão mais do que o cancro e afetarão pessoas de todas as idades em todo o mundo, com efeitos laterais para a sociedade e o ambiente.

O “Consumo de Antibióticos” em números

Realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, o inquérito “Consumo de Antibióticos” foi lançado no ano passado, no âmbito do Dia Europeu do Antibiótico, com o objetivo de retratar os hábitos, as perceções e comportamentos das famílias portuguesas face aos antibióticos. 

  • 73% dos inquiridos confirmaram que tomam antibióticos; dos restantes 27%, cerca de metade (13%), afirmaram nunca ter tido necessidade de tomar antibióticos e os outros 14% recusam tomar antibióticos mesmo quando prescritos pelo seu médico. Dos inquiridos que afirmam tomar antibióticos, 76% só o faz quando prescrito pelo seu médico. São os mais jovens que tomam menos antibióticos, o que é expectável dada a melhor condição geral de saúde.
  • Dos portugueses que tomam antibióticos, cerca de 59% recebeu a indicação para a toma em consultas médicas de ambulatório ou similares, 19% em consultas de emergência, 14% teve o antibiótico prescrito por dentistas e 7% durante internamentos hospitalares. 
  • Entre os que tomam antibióticos, 40% considera a duração do tratamento o mais importante. Para 27%, a informação mais importante são os efeitos indesejáveis. São os mais idosos e em particular os homens que dão mais importância à duração do tratamento. As mulheres dão também grande importância a esta dimensão e aos efeitos indesejáveis, mas tal como os mais jovens atribuem maior importância à interação dos antibióticos com outra medicação. Entre os mais jovens há uma maior preocupação com a frequência das tomas que nas outras faixas etárias.
  • Dois terços dos inquiridos declarou seguir a prescrição até ao final do tratamento; 9% deixa de tomar o antibiótico assim que se sente melhor, sendo este valor muito superior entre os homens e os mais jovens.
  • Metade dos inquiridos afirma devolver na farmácia os antibióticos que sobram, mas 30% guarda-os para uma próxima necessidade. 25% diz ter sempre um stock de antibióticos em casa – a esmagadora maioria fruto do último tratamento.  
  • Somente 36% da amostra identificou corretamente o propósito dos antibióticos: tratar infeções provocadas por bactérias; 35% afirmou não saber. São as mulheres e os mais jovens que melhor conhecimento demonstram sobre o consumo dos antibióticos: 39% das mulheres face a 33% dos homens identificou corretamente as infeções tratadas por antibióticos, em contraste com apenas 24% dos mais idosos.
  • Dois terços dos inquiridos afirmaram conhecer o conceito de resistência aos antimicrobianos, registando-se um maior desconhecimento na população acima de 65 anos (44%). Para 95% dos que conhecem o conceito, este é um problema sério.

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