Tristeza e depressão: como distinguir uma da outra?

Vanessa Santos

Psicóloga Clínica, inscrita na Ordem dos Psicólogos com o n.º 24323

“Estou deprimido” é o que acabamos, por vezes, por ouvir quando alguém está mais triste ou melancólico. Parece existir alguma confusão entre a tristeza e a depressão. Afinal, o que as distingue?

 A tristeza é uma emoção primária, universal, todos temos. Tem um carácter transitório, de menor duração e corresponde a uma reação adequada a uma situação específica. O facto de nos sentirmos tristes não compromete o envolvimento em atividades de vida diária, embora, naturalmente, possamos sentir-nos menos concentrados e com pensamentos mais dispersos, que acabam por ir parar à nossa preocupação do momento.

Por outro lado, a depressão é uma perturbação de humor duradoura, resultante de uma reação aparentemente desadequada a uma situação específica. Digo aparentemente porque quando é explorada a história de vida, é frequente a existência de várias situações que a pessoa sentiu como muito difíceis de gerir e de processar (por exemplo, separações, perdas significativas, relacionamentos tóxicos, situações de abuso, doença…).

Na depressão, a capacidade de se envolver em atividades de vida diária é afetada. Coisas tão simples como levantar da cama e arranjar-se para sair, tornam-se tarefas hercúleas que requerem uma força e energia da qual a pessoa não dispõe naquele momento.

Sintomas à tona e sintomas escondidos

Quando alguém se encontra com depressão, quais os sintomas que detetamos?

  • Distanciamento social. A pessoa tem tendência para o isolamento, por não querer preocupar os outros com os seus problemas, por não se sentir confortável em situações sociais, por sentir que não é uma boa companhia;
  • Irritabilidade, fazendo parecer que qualquer pequena situação é um gatilho que leva a uma explosão de raiva;
  • Tristeza ou mesmo uma sensação de dormência, sentindo-se desligada, como se fosse incapaz de sentir.

    Contudo, esta é apenas a ponta do iceberg, aquela que se vê da superfície. Escondidos surgem sentimentos de solidão, culpa, desespero, vergonha, incapacidade de sentir prazer em atividades que anteriormente eram do seu agrado, insónias ou hipersónia (dormir demasiadas horas), falta de apetite ou apetite em excesso, pensamentos ruminantes, como se fosse impossível parar de pensar.

Tudo isto pode traduzir-se em faltas frequentes ao trabalho ou à escola. Sim, porque a depressão não é apenas uma doença mental que encontramos nos adultos. Crianças e adolescentes também podem sofrer de depressão.

Por tudo isto, atualmente, a Organização Mundial de Saúde reconhece a depressão como sendo a principal causa de incapacidade em todo o mundo.

A depressão arrasta consigo um sofrimento atroz e pode, no limite, levar à morte. Não é uma doença que surge de um dia para o outro, manifesta-se de forma gradual e vai-se instalando, retirando a cor da vida e a energia para a viver. O mundo passa a ser um lugar hostil e perigoso e a pessoa sente-se um fardo, como se nunca mais fosse capaz de se sentir feliz.

A depressão é perigosa pelo seu silêncio e facilmente passa despercebida. Esteja atento às suas emoções e às dos que o rodeiam. Caso identifiquem alguns dos sintomas acima descritos, procurem ajuda profissional. A depressão é uma doença séria e assustadora mas existe tratamento: acompanhamento psicológico, afinal estamos a falar de situações de vida adversas e, sempre que necessário, medicação prescrita por um psiquiatra.  O principal objetivo é que possa voltar a colorir a sua vida com as cores que desejar.

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