“Um coração só é verdadeiramente saudável se cuidarmos dele ao longo da vida”

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

No Escolher Viver ligamos muito ao coração. Porque ele é o motor da nossa vida. As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. Portanto, devemos continuar a cuidar da nossa saúde, reduzindo e cessando comportamentos que colocam em risco o coração. Fomos conversar com Sílvia Aguiar, cardiologista do Heart Center do Hospital Cruz Vermelha. Uma conversa muito clara, em linguagem acessível a todos.

O que é um coração saudável?
Sílvia Aguiar – O coração é um órgão com vários componentes, sendo os mais importantes: miocárdio (músculo cardíaco), válvulas, tecido de condução e vasos coronários. Para considerarmos um coração saudável, todos estes componentes terão que funcionar corretamente. Resumindo, é necessário que o miocárdio contraia de forma eficaz, que as válvulas cardíacas abram e fechem sem restrições, que o tecido de condução não apresente bloqueios e que as artérias coronárias não apresentem aterosclerose. 

Como manter um coração saudável?
SA – Para manter um coração saudável é essencial o rigoroso controlo da tensão arterial, dos níveis de colesterol e peso corporal. Para pessoas com diabetes, é fundamental o rigoroso controlo metabólico. A prática de exercício físico de forma regular é igualmente um componente importante, recomendando-se 30 minutos de exercício moderado 5 vezes por semana, como caminhada. O consumo de bebidas alcoólicas deve ser limitado a um copo de vinho por dia para as mulheres ou até dois para os homens. É ainda importantíssimo a cessação tabágica, uma vez que o tabagismo é um dos maiores inimigos do coração.

Quais os maiores perigos para o coração?
SA – Os maiores perigos para o coração são a hipertensão arterial, a diabetes mellitus, hipercolesterolemia, tabagismo, obesidade e sedentarismo.

Quais os erros que não devemos cometer para prejudicar o coração?
SA – Os erros mais frequentes na sociedade moderna que prejudicam severamente o coração são o estilo de vida sedentário, com concomitante dieta hipercalórica, com aporte diário que ultrapassa o gasto energético, culminando assim em excesso de peso e obesidade. O stress e o sono não reparador, muitas vezes condicionado por apneia obstrutiva do sono, são igualmente marcas da sociedade moderna que danificam o coração a longo prazo. Os aspetos acima mencionados promovem o desenvolvimento de hipertensão arterial, hipercolesterolemia e diabetes, doenças que constituem em si mesmos os principais fatores de risco cardiovasculares.

Quais os alertas de que um coração pode não estar saudável?
SA – Todos devemos estar alerta para os sinais que o nosso coração nos mostra que poderá não estar saudável, dos quais se salienta:

– dor no peito ou sensação de peso, aperto ou ardor que se desencadeia com o esforço físico ou stress emocional;

– falta de ar e edema (inchaço) nos membros inferiores;

– palpitações (sensação que o coração bate demasiado rápido, sem que este aumento da frequência cardíaca tenha sido desencadeado por um esforço físico ou sensação que o coração bate de forma descompassada);

– síncope (perda de consciência).

Um coração doente pode tornar-se saudável?
SA – Neste momento, a medicina dispõe de várias intervenções que podem melhorar o funcionamento de um coração que não seja saudável. Temos atualmente à nossa disposição um vasto leque de medicação essencial para a proteção cardíaca. Com a evolução tecnológica, muitos procedimentos realizados por via percutânea (cateterismo cardíaco) podem melhorar o funcionamento cardíaco. Temos ainda a opção da cirurgia cardíaca. Contudo, e apesar do sucesso da inovação da medicina cardiovascular, não nos podemos esquecer nunca de que a melhor estratégia é a prevenção. E que um coração só será verdadeiramente saudável se o cuidarmos ao longo da nossa vida. Apesar dos tratamentos disponíveis, existem cicatrizes que ficam para sempre, e por isso apesar de conseguirmos melhorar bastante o funcionamento do coração, não o conseguimos tornar 100% saudável após uma agressão, como por exemplo um enfarte agudo do miocárdio

Este conteúdo foi produzido no âmbito da parceria editorial entre o site Escolher Viver e o Hospital Cruz Vermelha

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