Ups, perdão! O arroto pode ser mais do que simples incómodo

Diana Rosa

Jornalista

Nos bebés diz-se que é sinal de satisfação. Mas nos adultos, além de um grande incómodo social, o arroto podem ser sinais que o seu corpo lhe dá. Sim, sabemos que não é uma coisa agradável, mas alguém tinha de o fazer. E nós fizémo-lo.

O arroto, ou, cientificamente conhecido por eructação, é um fenómeno fisiológico natural que ocorre habitualmente depois da refeição ou da ingestão de bebidas, principalmente com gás, uma vez que engolimos ar quando comemos e bebemos. No entanto, quando mascamos pastilhas elásticas ou fumamos, também pode ocorrer a eructação.

Assim, o ar que reside no esófago ou do estômago é libertado pela boca, causando uma sensação de alívio e evitando a distensão abdominal. Mas se este fenómeno lhe acontece demasiadas vezes ao dia, também pode ser sinal de alguns problemas, como excesso de gases ou até doenças, como as que lhe apresentamos agora:

Gastrite

Quando tem gastrite, o seu sistema digestivo está comprometido, o que implica mais dificuldade na hora de fazer a digestão, fazendo com que haja mais acumulação de gases.

Intolerância à lactose

As pessoas que não conseguem digerir bem a lactose, devido ao défice das enzimas próprias para o efeito, têm maior probabilidade de ficar com a barriga inchada, sofrendo de flatulência e também de eructação.

Refluxo gastroesofágico

Que é o que acontece quando a comida, ou parte dela, faz o caminho inverso de volta para o esófago ou mesmo para a boca, causando a sensação de azia, queimadura e sabor amargo na boca. Como este movimento entre o estômago e o esófago produz mais ar, é comum que arrote mais vezes.

Hérnia de Hiato

Que pode ser causada por excesso de peso ou obesidade, esforço em excesso ou tosse crónica. Esta patologia pode causar sintomas semelhantes ao refluxo, sentindo ardor no esófago, azia e boca amarga.

Úlcera gástrica

A úlcera gástrica é uma espécie de ferida que existe na parede do estômago e que exige especial cuidado com os alimentos ingeridos. Habitualmente é potenciada pelo consumo excessivo de alimentos ácidos, álcool ou alguns medicamentos como anti-inflamatórios ou antibióticos (daí a importância de não os tomar de estômago vazio), causando dor, acidez, ardor e, mais uma vez, eructação. Esta úlcera pode também ser causada pela presença da bactéria H. Pylori.

H. Pylori

Precisamente no seguimento da situação anterior, esta bactéria é facilmente contagiosa através de saliva, água ou alimentos mal confecionados, provocando úlceras, gastrite, e em casos limite, cancro. A sua presença também promove a formação de gases no estômago.

Intolerância ao glúten

Para além dos arrotos, esta intolerância pode ter sintomas em todo o trato digestivo como diarreia, dor e inchaço abdominal, náuseas e vómitos.

Devo ficar alerta?

Não estamos aqui a tentar criar hipocondríacos, mas a verdade é que temos de aprender a reconhecer os sinais do nosso corpo. Se vê que arrota demasiadas vezes ao longo do dia, e se esses arrotos vêm acompanhados de outras sensações frequentes como mau odor, acidez, ardor, azia ou enjoo, deverá procurar o seu médico de clínica geral ou marcar uma consulta com um gastroenterologista assim que possível. Existem vários problemas do trato digestivo e só o seu médico assistente poderá definir qual a melhor estratégia de tratamento para o seu caso.

Como prevenir?

Se se tratar de eructação normal, não há alarmes. Mas para prevenir as patologias aqui mencionadas, os conselhos são os de sempre: mantenha uma alimentação saudável, regrada, sem comer demasiado a cada refeição, e mastigando devagar. Faça exercício físico com regularidade e evite bebidas gaseificadas, assim como tabaco.

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