Vacina contra o HPV reduz 87% dos cancros do colo do útero

Diana Rosa

Jornalista

As mulheres vacinadas no Reino Unido contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) na adolescência diminuíram o risco de cancro do colo do útero em 87%, noticiou esta quinta-feira a BBC News. Segundo as informações avançadas, estes são os primeiros dados oficiais do mundo real apurados pela Cancer Research UK, que descreveu esta descoberta como histórica, e afirmou que esta é a prova em como a vacina está, de facto, a salvar vidas.

Estima-se que o Vírus do Papiloma Humano (HPV) atinja 80% da população, e seja responsável por praticamente todos os casos de cancro do colo do útero. Este cancro é o quarto tipo na lista que mais mata mulheres todos os anos, e espera-se que a vacina venha a reduzir a quebrar a incidência quase permanente da doença.

A vacina não impede o contágio do HPV, mas previne que se desenvolva de forma maligna, principalmente nos subtipos mais graves, como os de alto risco. Ir a consultas de rotina, fazer o rastreio e a vacinação é fundamental para prevenir este tipo de cancro, e quanto mais cedo começar a fazê-lo, melhor. Em Portugal, esta vacina já faz parte do Plano Nacional de Vacinação para raparigas e rapazes até aos 17 anos, mas este vírus não é exclusivo de mulheres e, portanto, os rapazes também podem tomá-la.

Vamos saber mais sobre o HPV e sobre esta vacina.

O que é o HPV?

O Vírus do Papiloma Humano é, como diz o nome, um vírus que se transmite essencialmente por via sexual e que infeta homens e mulheres. Pelo seu carácter de contágio, a transmissão ocorre principalmente em adultos em idade sexual ativa, maioritariamente em jovens e adultos após os primeiros anos de início de atividade sexual.

Em muitos casos, o sistema imunitário consegue neutralizar o vírus. Mas para outras pessoas, a presença do HPV pode levar ao aparecimento de cancro e doenças genitais de vários tipos. O vírus representa:

– Quase 100% dos casos de cancro de colo do útero

– 84% de cancro do ânus

– 47% de cancro do pénis

– 40% de cancro da vulva

– 99% dos condilomas ou verrugas nos órgãos genitais masculinos e femininos.

Pelo que está aqui apresentado, conclui-se que este não é um problema só de mulheres. Embora tenha uma manifestação menor no sexo masculino, esta é uma preocupação que também recai sobre os homens.

Um dos fatores mais perigosos deste vírus é que normalmente passa muito tempo de forma silenciosa. Existem mais de 100 tipos de HPV e a vacina é fundamental, principalmente se for tomada em idade mais precoce.

Que vacinas existem?

Até agora, foram comercializados dois tipos de vacinas contra o HPV. Começou por existir a vacina bivalente, que prevenia os tipos 16 e 18, sendo estes os de risco mais elevado, e desde 2017 que Portugal já tem também disponível a nonavalente, que protege estes outros tipos de HVP de alto risco, sendo eles os HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58. Estima-se que estes cinco novos tipos englobados nesta mais recente vacina protejam mais 20% de cancros associados a este vírus, e mais 35% de lesões pré-cancerígenas.

Estes tipos de HPV contidos na vacina podem ser prevenidos, ou até mesmo reduzidos, caso já tenha estado em contacto com o vírus. Tal como as outras vacinas, este fármaco, ao ser administrado, previne que as células desenvolvam processos infecciosos quando estão em contacto com o vírus, produzindo anticorpos e tornando o organismo quase 100% eficaz contra os tipos de HPV contidos na vacina.

A quem se destina a vacina?

Em território nacional, a vacina contra o HPV já existe de forma opcional há mais tempo, mas foi em 2008 que passou a ser incluída no Plano de Vacinação Nacional. A vacina é disponibilizada gratuitamente a raparigas a partir dos 10 até aos 17 anos. No caso dos rapazes, a vacina só chegou ao PNV em 2020, e é agora administrada também aos jovens do sexo masculino com mais de 10 anos.

O ideal é que se proceda à toma da vacina na infância/adolescência, numa fase em que o organismo ainda não tenha tido qualquer contacto com o vírus, já que a atividade sexual é a principal forma de contágio. Ainda assim, os adultos também podem tomá-la sob orientação médica. Hoje em dia há muitos médicos que inclusivamente aconselham o reforço com a vacina nonavalente (HPV9) a quem já tomou a versão bivalente em jovem, nomeadamente a mulheres que já tiveram contacto com o vírus. Portanto, a toma desta vacina é sempre uma arma contra o cancro cervical, seja em que altura for. No entanto, neste caso, por ser opcional, a vacina é adquirida na farmácia e de forma particular, não sendo comparticipada pelo SNS.

Prevê-se que a inclusão desta vacina no PNV venha diminuir em grande escala os casos de cancro do colo do útero (e também dos restantes cancros associados ao HPV) nos próximos anos. Mas a informação e a priorização da sua toma é essencial. Como em todos os casos, existem sempre mitos associados às doenças e aos fármacos, e por isso é importante sublinhar que este vírus é transmitido de todos para todos. Ou seja, de homens para mulheres (e vice-versa), só entre homens ou só entre mulheres, desde que tenham contacto sexual por via vaginal, anal ou oral.

No entanto, o facto de existir uma vacina é uma verdadeira arma poderosa para prevenir o aparecimento de doença grave. Procure informar-se com o seu médico de família, ginecologista, urologista, etc, para se aconselhar sobre a toma e saber se se pode proteger contra este vírus. E no caso particular das mulheres, é essencial recorrer à consulta de ginecologia anualmente, fazer o rastreio papanicolau e o teste ao HPV. Este é um vírus que pode permanecer adormecido ou silencioso durante meses ou anos, e quando se manifesta, pode já estar num estado avançado da doença. Prevenir é a palavra de ordem!

Pode saber mais na página da Direção-Geral da Saúde.

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