Diabetes: Vegetarianos têm menos probabilidades de desenvolver doença

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

A adoção de uma dieta vegetariana é responsável por reduzir, em 53%, os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, revelam os estudos. Entre as razões, estão o menor consumo de gorduras saturadas, o controlo de peso e o consequente aumento da resposta da insulina.

A dieta vegetariana já provou ser benéfica em muitas áreas da saúde, desde a prevenção de doenças oncológicas, ao controlo da massa corporal. Mas há outra condição a ser influenciada pelas escolhas alimentares: a diabetes.

De acordo com uma análise a diversos estudos, realizada em 2018, a dieta vegetariana traz muitas vantagens na prevenção e combate da diabetes, quando comparada às demais dietas de alimentos de origem animal.

Um desses estudos, envolvendo 8401 adventistas do sétimo dia, cuja dieta se centra, essencialmente, nos vegetais, provou que aqueles que comiam carne, pelo menos, uma vez por semana, tinham mais 29% de oportunidades de desenvolver diabetes tipo 2, “e este risco crescia 38% se fosse carne processada”.

Finalmente, concluiu que aqueles que consumiram uma dieta vegetariana durante toda a vida “tinham menos 74% de risco de desenvolver diabetes”.

Outro estudo comparou 2819 crentes saudáveis do budismo e cujos hábitos não incluíam fumar ou consumir bebidas alcoólicas. Nesta religião, as escolhas alimentares também se centram nos produtos de origem vegetal, prevalecendo a dieta lacto-vegetariana.

“Passados cinco anos, houve 183 casos de diabetes”, enuncia o estudo, concluindo-se que as pessoas que foram vegetarianas toda a vida tinham menos 35% de probabilidades de desenvolver diabetes. No entanto, aqueles que aderiram a este estilo de vida mais tarde, tiveram um decréscimo nos riscos em 53%, quando comparados com os que consomem uma dieta à base de animais.

Ou seja, mesmo que, em toda a vida, tenha optado por produtos de origem animal, vai sempre a tempo de diminuir os seus riscos de desenvolver diabetes tipo 2.

Mas de que forma é que a dieta vegetariana influencia a prevenção desta condição? Porque oferece grande parte das recomendações dos nutricionistas para os pacientes.

Potencia a resposta da insulina

Na mesma análise, foi referido um estudo envolvendo 6798 participantes com pré-diabetes e diabetes tipo 2. Foi comprovado que as dietas à base de vegetais estavam correlacionadas com um menor risco de resistência à insulina, quando comparados com as dietas de origem animal.

Tal traduz-se no facto de o vegetarianismo promover o controlo dos níveis de açúcar no sangue, causando uma maior resposta da insulina. Isto é motivado pelo maior consumo de fibra, antioxidantes e magnésio.

A fibra desempenha um papel essencial no combate da diabetes, sendo recomendada a ingestão de 25 g diários para as mulheres e 38 g para os homens. Este nutriente é importante por ajudar no processamento da glicose, colaborando com a produção e funcionamento da insulina.

Já os antioxidantes, nomeadamente os polifenóis, ajudam no combate do stress oxidativo e, assim como a fibra, aceleram a resposta da insulina, potenciando a regulação da glicose.

Por último, o magnésio é essencial por ajudar na manutenção dos níveis de glicose e por promover a resposta da insulina, ativando os seus recetores.

Reduz o consumo de gorduras saturadas

A dieta vegetariana ajuda a diminuir o consumo de gorduras saturadas, que, por sua vez, estão ligadas a uma maior resistência à insulina e a um aumento dos níveis de “mau” colesterol (LDL). Estas são encontradas maioritariamente em produtos de origem animal, como carnes, nomeadamente a banha, o toucinho, salsichas, e laticínios.

Em vez disso, as dietas à base de vegetais substituem estas gorduras por mono e poliinsaturadas, sendo uma melhor opção para os diabéticos.

Controla o peso

A dieta vegetariana está diretamente relacionada com a perda de peso. Não apenas pela desistência das calorias que a carne promove, mas também pelo corte nas gorduras saturadas e pelo maior consumo de fibra e antioxidantes, como já referido anteriormente.

Desta forma, tem resultados na diminuição do colesterol LDL e na pressão sanguínea, consequências da obesidade e fatores de risco para a diabetes.

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